IV ENCONTRO  DAS  ACADEMIAS DE LETRAS DAS    MICRORREGIÕES    DE   PERNAMBUCO EM  GRAVATÁ – PE

A  ACADEMIA DE LETRAS E ARTES DE GRAVATÁ – ALAG – TEM A HONRA E SATISFAÇÃO DE CONVIDAR AS ACADEMIAS DE LETRAS E ARTES DAS  MICRORREGIÕES DE PERNAMBUCO, PARA ABRILHANTAREM COM SUAS PRESENÇAS O IV  ENCONTRO  DAS  ACADEMIAS” A SER REALIZADO NOS DIAS  23 E 24 SETEMBRO  DE 2017, A PARTIR DAS 7.30 HORAS no “Hotel  PORTO  DA  SERRA.

 PROGRAMAÇÃO SITE   DA   ALAG:  www.alag.org.br

  1. Às 7.30, a chegada das Delegações e recepção dos participantes para sua inscrição e ASSINATURA DO LIVRO DE PRESENÇA, e entrega das pastas com o material necessário para o evento, programação das atividades dos dois dias etc. Neste momento será entregue a cada Acadêmico um “marcador de página” com uma “bonequinha da sorte”, considerada patrimônio cultural de Gravatá,  que será colocado na lapela dos participantes como símbolo da cidade de Gravatá. Os inscritos antecipadamente terão pago o valor correspondente à inscrição através de nosso SITE, devendo, contudo, assinar o livro de presença.
  2. Os que desejarem se inscrever no momento de suas chegadas, deverão pagar em moeda corrente do país, o valor estipulado de R$ 25,00;
  3. A Sra. Marluce, Cerimonialista, participará com seu pessoal para ajudar a receber os participantes e atender suas necessidades.
  4. Os Acadêmicos receberão naquele momento uma senha individual para ter direito ao café da manhã, gratuitamente;
  5. As senhas para o café da manhã deverão ser entregues ao funcionário do hotel encarregado de servir o café da manhã;
  6. Após a inscrição e recebimento do material concernente ao evento, os hóspedes deverão se dirigir à recepção do hotel para fazer o “Check-in”. Em seguida, acomodar seus pertences no apartamento que lhe correspondeu, e rapidamente encaminhar-se para o Salão de Eventos;
  7. O Hotel Porto da Serra, situado no Bairro do Jucá, na Perimetral, rua 4 de Outubro, nº 629 A – Bairro Nossa Senhora aparecida – Gravatá – CEP: 55644-669    Fone para reserva (81) 3533 8579 ou 99647 0610- e-mailreservas@portodaserrahotal.com.br –    www.portodaserrahotal.com.br
  8.  
  9. Os interessados deverão fazer suas reservas diretamente com o hotel.
  10. Aptº duplo – R$ 225,00 – R$ 112,00 p/pessoa;
  11. Aptº triplo – R$ 297,00 – R$ 97,00 p/pessoa;
  12. Aptº quadruplo – R$ 396,00 – R$ 92,00 p/pessoa;
  13. Todos os apartamentos são de luxo, com TV, frigobar, ar condicionado, roupeiro, e mesa com cadeira. As refeições podem ser servidas nos aposentos do hóspede; 
  14. Segunda opção de hospedagem: PousadaVIDA VIVA” – com diária de R$ 150,00 para duas pessoas, também no Bairro do Jucá; Perimetral – rua Francisco Bezerra de Carvalho – nº 421 – fones para reserva: (81) 998878214 e 985018193 – e-mail vivavidapousada@gmail.com   - face book – pousada vivavida – site: www.pousadavivavida.com.br
  15. Foi confirmada a presença de mais de vinte integrantes da AELE – Academia Escadense de Letras, já a partir do dia 22/9/17 para realizarmos UM INTERCÂMBIO ACADÊMICO SOLENE, entre AELE e ALAG no Auditório do  Hotel Porto da Serra, às 20:00 hs.  com programa preestabelecido pela AELE. Solicita-se a todos os ACADÊMICOS DA ALAG sua presença de FARDÃO, momento em que serão homenageados os ilustres Acadêmicos fundadores da ALAG, Adeildo Nunes e José Lamartine, já falecido.  Convidamos a todos os Acadêmicos da ALAG,  para participar deste evento cultural com o intuito de estreitar alianças, firmar amizades, e desfrutarmos de uma noite gloriosa de cultura  e homenagens.

 FEIRA  DE  LIVROS

“No hall do hotel haverá mesas para exposição dos livros dos Acadêmicos, para serem vendidos, que ficarão a cargo de uma das recepcionistas. Haverá também uma exposição de  arte com quadros, esculturas  e outras manifestações artística dos Acadêmicos”.
Os autores deverão apresentar seus livros com o preço por escrito na primeira folha da obra.

Às 8,15 hs. todos serão encaminhados para o refeitório, onde será servido o café da manhã.

Às 9,00 hs. começará o encontro, propriamente dito, e  o Mestre de Cerimônia chamará para integrar a Mesa Diretora,  a  Presidente da Academia de Letras e Artes de Gravatá, Sra. Célia Soares de Carvalho,  a Presidente da Academia Pernambucana de Letras, Sra. Margarida Cantarelli, a Presidente da AELE -  Ana Netto, que representará as demais Academias presentes, e pelas quais fará seu discurso.   Também comporá a mesa diretora o Ilmo. Sr. Prefeito do Município de Gravatá, Joaquim Neto, o Ilmo Sr. Presidente da Câmara dos Vereadores, Leonardo (Leo do ar), e a Secretária de Cultura do Município, Ana Patrícia de Andrade.

 

ATENÇÃO

Após a mesa composta, o Mestre de Cerimônia chamará um representante de cada Academia para  trazer um pequeno símbolo material de sua região, tal como um artesanato, um boneco de barro, uma garrafa de aguardente, um vidro de mel de abelha, uma pedra específica da região, ou outro qualquer elemento simbólico do município, que serão colocados numa mesa adequada para isto.  Estes elementos simbólicos  ficarão incorporados ao acervo cultural da ALAG.

_A Presidente Célia Soares terá 15 minutos para dar as boas vindas e agradecer o comparecimento das Academias da região e desejar um excelente dia com palestras e demais atividades curriculares.

_Concluídas as falas, nosso trovador Edson Francisco declamará um cordel de sua autoria recepcionando os participantes;

_O confrade Fernando Jr. à frente do seu Coral interpretarão O HINO NACIONAL  e  O HINO DE PERNAMBUCO com a participação dos presentes.

 _ Às 9,30 horas, todos os selecionados para ministrarem suas Palestras Acadêmicas, tomarão seus lugares à mesa do auditório, indicados pelo Mestre de Cerimônia, com os assuntos adredemente preparados.  Todos os participantes assistirão as Palestras que terão um mínimo de duração de 30 mn.

1º Palestrante- João Bosco Farias, ALAG-  “Criação e Fundação da 1ª Academia de Letras do Brasil e Machado de Assis”; 30 minutos – Debate a critério do palestrante;
2º Palestrante – Admaldo Matos, APL -  com o tema – A Criação Literária - 30 minutos; debate a critério do palestrante;
3º Palestrante –PROF. Rosilda Maria Araújo Silva dos Santos, AELE -  com o tema – Elementos necessários para a criação de um conto  - debate a critério do palestrante. 30 minutos;
4º Palestrante – João Sávio – ACL - com o tema – A importância do Acadêmico para a Academia - 30 minutos; debate a critério do palestrante;
5º Palestrante – Waldyr Siqueira  , AELE,  com o tema – Psicanálise e Literatura: Identidade, Fantasias e Mitos, debate a critério do palestrante.
Atenção; este tempo estará à disposição de cada palestrante, podendo   o mesmo  utilizar 20 minutos para palestra e 10 para debates.

HORÁRIO  DE  ALMOÇO  LIVRE.
Ao meio dia o almoço será um serviço de Buffet no restaurante do Hotel, ao preço de R$ 42,00 por pessoa, ou serviço A LA CARTE, ao preço do cardápio. Os que assim desejarem  utilizar o Buffet, poderão adquirir o ticket do almoço na recepção, antes de começar a sessão solene. PARA O HOTEL SABER EFETIVAMENTE QUANDOS ACADÊMICOS VÃO FAZER USO DESTE SERVIÇO, E SEREM BEM ATENDIDOS.
Sendo o horário livre, os que não desejarem permanecer no hotel, poderão dirigir-se à cidade para suas necessidades pessoais.

PROGRAMAÇÃO  DA   TARDE.
A partir das 14 horas e até as 16,00  as Palestras programadas começarão a ser ministradas até seu encerramento, com a participação dos envolvidos no evento cultural, no auditório do hotel.
O Cerimonialista Josias Teles dará início à sessão.
1º Palestrante – Edson Francisco e Nerisvaldo Alves – com o tema – A força criadora do poeta matuto - duração – 40 minutos; - debate a critério do palestrante.
2º Palestrante – Tomaz de Aquino – com o tema – Criação do repente e sua importância na cultura nordestina - 30 minutos; debate a critério do palestrante.
3º Palestrante – Dea Coirolo – com o tema – A importância da beleza da imagem na criação poética – 30 minutos; debate a critério do palestrante.
Apresentação do espetáculo de balé sob a regência do bailarino e coreógrafo Wanderson José.
4º Palestrante – Geraldo Ferraz - com o tema – O sucesso de Garanhuns - hecatombe anunciada (ensaio histórico literário) – 30 minutos; debate a critério do palestrante.
5º - Amostra cinematográfica, sob a direção de Florivaldo Pereira – com tema – O Homem da Capa Preta ( cinema brasileiro); duração de 30m.
_Finalizada a amostra cinematográfica, o Mestre de Cerimônia, Josias Teles,  facultará a palavra,  com duração máxima de dez minutos, a quem dela queira fazer uso.


_Às 18 horas, aproximadamente, o dia de atividades será encerrado com a palavra final da nossa Presidente Célia Soares Carvalho. 
O Acadêmico Fernando Jr. e seu Coral interpretarão o HINO  DE  GRAVATÁ.
O Mestre de Cerimônia, Acadêmico Josias Teles,  encerrará as atividades do primeiro dia. Horário livre para todos os participantes.
20:00 hs, Jantar de Gala  com música,  no Salão de Recepções do Hotel Porto da Serra, para os Acadêmicos e  seus acompanhantes, como cortesia da ALAG.   Por exigência do hotel, a noite terminará ás 22:00 hs, e depois, se alguém quiser, poderá se dirigir para a área da piscina para drinques e conversas.
O TICKET PARA ESTE JANTAR DEVE SER ADQUIRIDO NA RECEPÇÃO DO HOTEL NO PERÍODO DA MANHÃ, PREFERIVELMENTE ANTES DO CAFÉ, A PEDIDO DA GERÊNCIA DO HOTEL, QUE DEVERÁ PROVIDENCIAR A QUANTIDADE CERTA DE PRATOS A SEREM SERVIDOS.

Programação para o 2º dia de atividades Acadêmicas (domingo)

O 2º DIA   ACADÊMICO  terá inicio às 9,00 hs. NO AUDITÓRIO DO HOTEL.
Incluir as crianças nos projetos literários, meta de cultura da ALAG.
1º Recepção de um grupo de “CONTAÇÃO  DE  HISTÓRIAS” e declamação ou leitura de textos pelos alunos  e pais, de  algumas escolas de Gravatá, sob a direção e responsabilidade do Acadêmico Edson Francisco.
_2º SARAU  POÉTICO  de microfone aberto para quem queira participar. A palavra será cedida para quem dela queira fazer uso acadêmico, com poesias, com leitura de contos, de crônicas, causos ou comentários sobre o IV Encontro.
3º Palavras finais da Presidente Célia Soares de Carvalho, encerrando  ao meio dia as atividades do IV  ENCONTRO DAS ACADEMIAS DE LETRAS DAS MICRORREGIÕES DE PERNAMBUCO e escolha  da próxima Academia a sediar o V Encontro no ano de 2018.
Para finalizar teremos a interpretação da música “AMIGOS  PARA  SEMPRE”, com o coro de Fernando Jr.

F  I  M

 

 

IV ENCONTRO DAS ACADEMIAS DE LETRAS DAS MIRCORRIGÕES DE PERNAMBUCO
PROMOVIDO PELA ACADEMIA DE LETRAS E ARTES DE GRAVATÁ, SOB A PRESIDENCIA DA SENHORA MARIA CÉLIA SOARES DE CARVALHO, E COORDENAÇÃO DE ANCHIETA ANTUNES E DEA COIROLO, DENTRE OUTROS.

C A R T A  A C A D Ê M I C A
O IV Encontro das Academias de Letras das Microrregiões de Pernambuco aconteceu na cidade de Gravatá, nos dias 23 e 24 de setembro de 2017. A Academia de Letras e Artes de Gravatá trabalhou por vários meses na preparação do evento, desenvolvendo elucubrações acadêmicas, discussões de novas ideias, com idas e vindas, com modificações do projeto inicial, enxugamento de textos, orientação educacional dirigida também às crianças num domingo primaveril com “contação” de histórias e declamações de poesias e cordéis.
Uma das participações ativas foi a da nossa Presidente Célia Soares de Carvalho. Laborou com denodo e devoção, com clarividência e diplomacia. Estava em todos os lugares como se onipresente fosse. Dirimiu dúvidas, solucionou impasses, e com um sorriso diáfano cativou os indecisos, trazendo-os para o lado da proclamação da cultura em tempos de turbulência nacional. Célia Soares foi a alma andante nos corredores da programação, nos cotovelos das dúvidas, no arraial da paixão. Uma palavra amiga, um conselho sábio, um olhar para o futuro, e o resultado surgiu na figura do IV Encontro das Academias de Letras das Microrregiões de Pernambuco.
Perscrutando sobre acadêmos e platões, vitrificamos um padrão de comportamento acadêmico que ficará como marca registrada para o futuro dos nossos encontros. 
Obra de mãos dadas, de compromisso e responsabilidade, de empenho e vontade corpórea para a tomada de decisões; com esta determinação erguemos um edifício de cultura. Um convite, uma ação. Deixamos um legado de exuberância corporativa, conseguimos plasmar expectativas em realidade cultural com o exercício de expressão mental e corporal; conseguimos realizar o imaginável e transformar em fórmula acadêmica, com vigor e vontade, contorcendo-nos no palco à procura do melhor ângulo, do melhor desempenho, da expressão mais convincente. Um palco de equilibristas das palavras mágicas para convencer, para embevecer, para exaltar e arrebatar com entusiasmo e paixão.
Foi árduo? Sem dúvida, contudo foi mais revigorante que cansativo; um polimento no ego, uma película de vaidade em nossos semblantes, agora, juvenis. O melhor presente para o ser humano reduz-se à realização de um sonho, de um projeto, de uma campanha, contando com a força criadora de cada um, com a individualidade artística que se nos acomete em particular. 
Confluência de uma grande região do estado num só local, com o mesmo objetivo, com o mesmo escopo, com o mesmo entusiasmo. Fisionomias expectantes, talvez até assustadas, sugerindo impaciência e pressa. A mesa de recepção funcionou com todos os corações em sobressalto, laborou com a presteza de expertos, e a gentileza de anfitriões. Competência e legitimidade foram a nuance colorida de expressões alegres e sorridentes. Um amplexo universal codificou o encontro dos gentis, dos palestrantes, dos poetas, dos infantes, e até mesmo de um “Pequeno Príncipe” loiro, sério e laborioso, no seu mundo encantado, à sombra do baobá.
Contamos com a presença do Acadêmico Jaime Correia, da Academia de Letras e Artes de Mesquita – RJ, o que muito nos honrou. Volte sempre Jaime Correia.
Foi no sábado que eclodiram as vozes dos diligentes palestrantes, vibrando e fazendo vibrar o público, inteligentes e dialéticos, vigorosos em suas assertivas, baseados em pesquisas exaustivas, nas noites insones a procura da melhor palavra, da melhor entonação, do melhor quadro visual, da semântica absoluta.
Os conferencistas cintilaram no arco-íris da melhor expressão vocabular, da imagem irreprochável. Os Acadêmicos compareceram monetariamente, a cidade ajudou com verbas e brindes; o conjunto somou.
Deixamos de lado os emirados mesquinhos e pecaminosos, um conjunto de abutres egoístas e antropofágicos.


Primeira   janela
As boas vindas foram tipificadas pelo cordel de Edson Francisco.

O QUARTO ENCONTRO

Com a boneca da sorte
Bem junto coração
Com flores que nós plantamos
Perfumando a nossa mão
Dizemos seja bem-vindo
A esse recanto lindo
Essa terra tão charmosa
De clima espetacular
Nas folhas do Gravatá
Escrevemos verso e prosa


Primeiro foi em Escada
Esse encontro de cultura
Paulista nos recebeu
Com muita literatura
Chegando a Tamandaré
No balanço da maré
A festa foi grandiosa
E pra ela continuar
Nas folhas do Gravatá
Escrevemos verso e prosa


Agora o quarto encontro
Encontra a nossa cidade
Onde o sonho de Justino
Tornou-se realidade
Gravatá abre seus braços
Pra se tornar um espaço
Desta arte gloriosa
Para melhor celebrar
Nas folhas do Gravatá
Escrevemos verso e prosa

Trago versos de cordel
Que colhi por toda parte
O artesanato da gente
Que respira paz e arte
Cristo de braços abertos
E o sorriso mais certo
Dessa gente talentosa
Que habita este lugar
Nas folhas do Gravatá
Escrevemos verso e prosa

Que a sua alegria
Se misture ao nosso clima
E que a sua poesia
Acalente a nossa rima
Que não falte inspiração
Dentro do seu coração
Nesta festa primorosa
Que agora vai começar
Nas folhas do Gravatá
Escrevemos verso e prosa

 

Edson Francisco

 

            Bosco Farias, o “druida” possuído pela magia da tribuna, desfilou gramática, filosofia, entusiasmo e conhecimento. Gesticulou o discurso dos sábios, proclamou o Assis, não o nosso preclaro Admaldo, nem o Santo Francisco de Assis, mas o augusto Machado de Assis, escritor afro descendente, hoje comparado a Dante e Camões. Machado de Assis que percorreu todos os estilos literários, que inspirou Olavo Bilac, Lima Barreto, Carlos Drummond de Andrade, e tantos outros. Machado de Assis reconhecido tardiamente deixou uma obra literária digna de admiração até os dias atuais, e pela eternidade.

Bosco Farias entusiasmado, quase ultrapassou a linha do tempo concedido, e se não o fez, foi porque havia um “chato” marcador de tempo com suas plaquinhas de dez, cinco e dois minutos para ohiatoentre cada palestrante. Ouvimos uma conferência brilhante e elucidativa, esclarecedora e acadêmica. Bosco houve por bem.

 

            Admaldo Matos de Assis, acadêmico de primeira grandeza, eloquente em seu discurso, conhecedor do mercado de letras, escritor de contos e grandiloquente em seus romances citadinos. Contador de histórias, mágico com as palavras, encantador das serpentes do conhecimento. Admaldo Matos de Assis, um Sêneca da nossa cidade serrana, ao seu primeiro grito, sabia-se conter o talento de escritor. Nasce-se pronto. Desenvolve-se o aprimoramento, cortam-se as arestas, lapida-se o diamante interno; o talento, a tendência, é sangue nas veias.
Bina faz chorar, e ao mesmo tempo jogamos futebol com ele e fazemos o gol da esperança tardia; banhamo-nos em chuva gratuita que nos mitiga a seda com água pura. Bina passa fome, geme de solidão, de tristeza e pobreza. Bina existe, é só olhar para os lados em qualquer cidade, grande ou pequena.
Aprendemos o “b a ba” da criação literária, vimos como se transforma uma história verídica na ilusão de um romance, adotando-se pequenas modificações, contornando-se verdades cruéis em fatos imaginários. O escritor é um contorcionista das palavras, um mágico das emoções, um revelador de amores escondidos.
O nosso (a fama o popularizou) não é um Machado, mas sim um Admaldo Matos de Assis.


            Rosilda Araújo arcou com uma difícil tarefa: delinear o aprendizado para se escrever um conto. Em primeiríssimo lugar destacamos o “talento natural para ser escritor”. Não há linha de montagem para escritores, não se fabrica romancistas, contistas, poetas, narradores ou futebolista. Nasce-se feito. Para os escritores neófitos foi dirigida a palestra da nossa Acadêmica da AELE, Rosilda, que esbanja talento e fluidez com as palavras. Outra contorcionista das letras, dos contos, das histórias escritas com vigor e clangor. Quem prestou atenção aprendeu que para se escrever um conto precisa-se de dedicação, de persistência e continuidade. Terminado o conto, o romance, ou qualquer que seja o estilo literário, vamos partir para uma limpeza de texto, para um momento de emolduramento das imagens criadas, vamos gratificar o leitor com envolvimento e emoção. É quase impossível ensinar a escrever, apenas conseguimos orientar no sentido de se conseguir uma melhor imagem de texto. Rosilda, nossa eterna palestrante, parabéns pelo seu belo trabalho. Deixou saudades...

 

Segunda   janela

Assim como regamos nossa Árvore Genealógica, devemos cultivar com empenho a ÁRVORE  ACADÊMICA; com seu grosso tronco fincado em solo cultural, suas centenas de galhos – cada galho uma academia – suas folhas – cada folha, um acadêmico -  seus frutos – cada fruto uma ação acadêmica – e as sementes dos frutos – cada semente um ensinamento à sociedade menos favorecida, às crianças da periferia, aos professores, aqueles que apenas concluíram o 2º grau –

            Assim estaremos exercendo o verdadeiro papel de um acadêmico, empenhando-nos em transmitir ensinamento, de elucidar dúvidas pueris, que emboloram o raciocínio dos adolescentes. Nossa missão é fazer brilhar os esclarecimentos primevos, assim como os atuais.  AA.

 

            Dr. João Sávio, médico de homens e artífice das palavras. Conclamou os Acadêmicos para uma responsabilidade social e cultural abrangendo adultos e crianças. Disse da importância do empenho e da dedicação com uma Instituição que eleva um país, um povo, uma nação. O Acadêmico não é só vaidade, não é só orgulho e veleidade, é, isto sim, antes de tudo, um professor das letras, um emancipador dos termos corretos, de uma imagem lúdica ou bucólica, de um ensinamento filosofal, de uma linha de raciocínio escorreito. Ser Acadêmico é pura responsabilidade com o meio em que se vive, um exemplo de dedicação e ingente aprimoramento da arte de escrever para ser lido.

Dr. João Sávio percorreu poetas e filósofos, continentes e ilhas, e trouxe para o público uma pequena história de Camões, obra de quem é apaixonado. Fernando Pessoa é mais atual, Camões é mais intenso. Sem dúvida aprendemos um pouco a sermos acadêmicos, de preferência dedicados e laboriosos. Coube a ele um tema árido, mas que, por talento e entrega, soube discorrer com competência e talento. Não podemos deixar de parabeniza-lo.

 

            Waldyr Siqueira, psicólogo ou filósofo? Pantomimas da mente movimentaram seus braços, exercitaram nossas reflexões, agitaram dúvidas e até mesmo, em alguns aspectos, nossa ignorância sobre pontos obscuros para quem não é do ramo. Waldyr Siqueira encantou uma plateia que não despregava os olhos para o homem que se exercitava ao som dos ensinamentos psíquicos. Elucubrou sobre movimentos sociais que definem o comportamento humano, que agita massas insurretas, que manifesta razões ainda indefinidas para solução de problemas urgentes.
“Muitas coisas não ousamos empreender porque parecem difíceis; entretanto, são difíceis porque não ousamos empreender” – (Sêneca)
O caminho da psicanalise é um caminho pedregoso e por isto mesmo difícil de percorrer porque está incrustada na mente humana, uma massa informe cheia de pendências, de necessidades abstratas, de premência de atenções, da urgente carência de amor, de dedicação e aceitação. A mente humana é um labirinto escuro e cheio de armadilhas inteligentes, de sofismas e argumentos, nem sempre, ou quase sempre defeituosos. Os ardis da mente permeiam o caminho do pesquisador que tenta descobrir o que não quer ser descoberto, com medo do remédio.
As três meninas deslumbraram a plateia humanizada pelas palavras que cobriam as mentes absortas, e apaziguaram os corações em ebulição, premidos pelo recado anterior; como um manto sagrado absolveu todos os pecados. As três meninas brilharam individualmente, somando talento ao congresso em ebulição.

Após o estômago recheado com as melhores escolhas, voltamos às 14h para reiniciar os trabalhos dos palestrantes.

 

            O encontro com Edson Francisco e Nerisvaldo Alves ocorreu para relaxar a plateia, para fazer sorrir e desfrutar de momentos lúdicos, de humor na ponta da língua; com picardia desfilou bons versos, sintonia entre poetas que se conhecem, que declamam nas praças públicas, que é como deve ser o comportamento poético, levando para a população o que de melhor temos: “nosso idioma bem trabalhado na caneta do escritor”. Versão escrita de pensamento sintático quando transforma intenção em expressão oral.

A dupla encantou a quantos ali estavam; rindo, decifrando períodos bem elaborados para melhor inteligir; viajamos nos versos de Nerisvaldo, gozamos as rimas de Edson, brincamos de adultos/crianças em pleno congresso de cultura. Foram momentos inesquecíveis de prazer e descontração. Que venham outros cordéis para afastar do rosto as rugas de preocupações. Poesia é cultura. Cordel é cultura nordestina, por isto, para nós, mais autêntica, mais sangue nas veias do sertanejo, da cabocla dengosa. Edson desfrutou com Maria Alice, (com apenas 5 anos), da declamação de cordéis que ela, a pequenininha, se houve com garbo e profissionalismo, e para brilhar mais ainda, disse no ouvido do pai: ”Painho, tu errou!!!” O auditório veio abaixo. Também pudera!!! Quem puxa aos seus, não degenera, já dizia o filósofo. Será que esta menininha tem personalidade, tem fruição poética? Temos o prazer de vaticinar que Maria Alice aos dez anos estará encantando plateias pela Capital e Interior do Estado.  Quem viver, verá!  Valeu Edson!

            Tomaz de Aquino, com o tema “Criação do repente e sua importância na cultura nordestina” encantou a todos os presentes. Errante pesquisador, Tomaz dedicou quatro anos de suas andanças pelo sertão para pesquisar a origem do “repente”. O resultado foi uma aula documentada da arte de improvisar, da magia de contar uma história sabida naquele momento com rima e ritmo. Quem é poeta sabe da importância de cada palavra na construção de um verso, compreende o segredo de transmitir uma imagem com vigor e direção. Tomaz e sua parafernália de máquinas e tecnologia mostrou-nos em tela, o mapa da pesquisa, as entranhas do corpo nordestino na figura de um repente, de uma demonstração de sutiliza, de improviso e humor. Profissional que é, esteve preocupado com tempo da palestra, e perguntava ao “chato” do tempo se ainda dispunha de alguns minutos para concluir sua explanação. Teríamos proporcionado prorrogações e mais prorrogações, não fosse a fila de conferencistas com seus temas, e o tempo espremido pelo marcador de minutos.

Fomos premidos a respeitar a arte do repentista, da rima instantânea, da história relâmpago, da rapidez de raciocínio. Muitas vezes esta arte é exercida por homens rudes, pessoas que não tiveram a oportunidade de frequentar os bancos escolares, muito menos de frequentar uma faculdade. Vimos em feiras e restaurantes uma dupla de repentistas cantando as fisionomias dos frequentadores destas casas, decifrando pelo semblante uma história de amor, de aventura, de mazelas, em troca de algumas moedas. Poucos têm interesse em saber como aquelas figuras folclóricas surgiram, como alimentaram seus sonhos de poetizar contos desconhecidos com graça e arte. Tomaz de Aquino debruçou-se sobre a metodologia do repentista, esmiuçou suas origens, traçou um caminho do desenvolvimento do repente, e nos apresentou como coisa consumada uma arte puramente nordestina, e como o deleite do sertanejo em versejar o inusitado se faz presente no panorama nacional.  Para isto é preciso dedicação e amor pelo que se faz, principalmente quando se trata de arte popular. Tomaz de Aquino merece nossos aplausos entusiásticos.

 

            Dea Coirolo, a uruguaia e brasileira por opção, recebeu a incumbência de dissertar, ou melhor, de ensinar como escrever uma poesia com graça, elegância, arte e estética. Discorreu sobre os primórdios da poesia, dos grandes poetas como Fernando Pessoa, e tantos outros com renome internacional. Citou poetas de nossa Academia, e até mesmo um poema que ela escreveu em suas madrugadas literárias. Dea falou do cuidado que os neófitos devem ter ao escrever uma poesia, por menor que seja, a escolha de cada palavra, a sua colocação no espaço poético em andamento, a rima mais apropriada, e principalmente, não pela necessidade de rimar, mas pela palavra correta, sem forçar um encaminhamento indesejado pelo o som das palavras. A rima deve ser espontânea e livre de amarras sonoras; os versos devem ser artísticos e bem emoldurados, provocando um sabor etéreo na mente do leitor. Assim foi dito.

Uma sensação epitelial de prazer deve percorrer o âmago de quem lê um poema, deve e pode traduzir um sentimento de gozo e fruição quando da leitura de uma poesia escrita com emoção. Ela insistiu em que, uma vez terminada a tarefa de escrever um poema, deve o poeta iniciar a limpeza de texto, a troca de palavras, a supressão de vírgulas desnecessárias, a purificação de uma imagem, a clareza de uma paisagem, a dor de uma mãe ensandecida pela perda do filho, a paixão avassaladora dos jovens desvairados pela inexperiência de vida. Uma poesia é um laboratório de aprendizado, um exercício de exumação do último sentimento artístico escondido na alma do poeta. Ser poeta é travar uma peleja todos os dias, onde o grande vencedor é o poema perfeito, aquele que transmite a arte, o enlevo, o sentimento de satisfação e de prazer em ser lido por uma multidão de poetas e profanos. Dea Coirolo deu o seu recado com maestria e destreza vocabular. Outros congressos virão para nosso deleite com tão bons palestrantes.

 

            Geraldo Ferraz. Ah! Geraldo Ferraz com seu bigode de justiceiro, sua voz tonitruante discorrendo sobre os caminhos do cangaço no sertão do nordeste, onde os Coronéis “acoitavam”  os jagunços foragidos dos meganhas. Geraldo percorreu a trilha de Lampião, de Corisco, de Jesuíno Alves de Melo, o Jesuíno Brilhante e seus grupos armados, e desvendou para nós algumas artimanhas dos homens do cangaço, quando de suas andanças pela caatinga, onde um espinho de mandacaru era uma carícia da natureza.
Geraldo Ferraz, neto do homem que combateu Lampião, inimigos ferrenhos, patrocinadores de várias justas na poeira dos campos secos, leva no sangue a coragem dos combatentes que pelejam contra os fora da lei, contra os assassinos de chapéu de couro. Geraldo escreveu e publicou vários livros sobre as histórias dos cangaceiros do sertão, contando a verdadeira sanha daqueles homens que matavam pelo prazer de matar, que amedrontavam cidades inteiras quando de suas passagens pelos lugarejos de então; Geraldo contou em suas narrativas a autêntica história dos, para alguns, “Robin Hood” do sertão, sem medo da censura de alguns defensores dos homens de gibão de couro, com os fuzis atravessados no ombro, das “peixeiras” que perfuravam as entranhas de quantos atravessassem na frente do matador enfurecido pelo regalo do destino.

Geraldo Ferraz dedicou-se a uma cruzada pelo Estado de Pernambuco em defesa dos policiais daquela época que combateram os cangaceiros, que prenderam muitos deles, e que, muitas vezes foram injustiçados pelas crônicas de alguns desinformados. A justiça histórica fervilha nas veias de nosso ilustre Acadêmico, e ele não se cansa de bradar aos ventos a verdade de uma época em que o mais valente, “tinha ganho de causa”, ainda que nem sempre de maneira justa, e era coroado o herói do momento. Geraldo tem ainda muitas batalhas para combater, muitas injustiças históricas para corrigir, muitos livros para escrever, revelando para o público leitor o que de mais autêntico aconteceu no final do século XIX e começo do século XX. Estamos aguardando novos livros Geraldo, não demore, o tempo urge.

 

Terceira   janela

Um episódio, para nosso gáudio, digno de nota em LETRAS GARRAFAIS, foi o fato de o nosso inesquecível encontro ter sido tão bem conduzido e desenvolvido com maestria, pompas e circunstâncias, que não chegou a acontecer a “escolha” (querelas subjacentes) de uma sede para receber o próximo encontro. Os Acadêmicos presentes, por unanimidade, evitando qualquer tipo de peleja, sempre problemática nas decisões, optaram, democraticamente, por uma sequência de anfitriões, quais sejam:

2018 –  V  Encontro - Academia Pernambucana de Letras – Recife-PE;
2019 – VI  Encontro - Academia Cabense de Letras – Cabo de Santo Agostinho – PE;
2020 – VII Encontro - Academia Palmeirense de Letras – Palmares – PE;
2021 – VIII Encontro - Academia Santa-cruzense de Letras – Santa Cruz do Capibaribe – PE

“ATENÇÃO”

A Academia Santa-cruzense de Letras AINDA não existe. Foi solicitada à Academia de Letras e Artes de Gravatá – ALAG, que se encarregasse da fundação e instalação daquela academia. Como faltam três anos para o evento, teremos tempo suficiente para promover a criação da Academia Santa-cruzense de Letras. Um desafio a ser vencido com galhardia.

Geraldo Ferraz.

 

Um momento de descontração e malabarismo nos corpos de dois endiabrados passistas de Wanderson José, o coreógrafo Gravataense. Dois rapazes dotados de ritmo e músculos dançaram o frevo, ritmo autenticamente pernambucano, com seus passos intrincados, difíceis e próprios de quem labuta no setor de dança. Um show de cadência e competência. Descontraiu a plateia e concedeu um suspiro de leveza, após tantas lições de literatura, que, quer queiram ou não, é matéria árida.

 

            Florivaldo Pereira, o cinéfilo inveterado que levou para nosso Congresso um filme ganhador de prêmios, contando a história de um alagoano, Tenório Cavalcante, que perdeu o pai, assassinado covardemente quando tocava sua concertina em noite enluarada, no sertão de Alagoas. O menino cresceu, se fez deputado, vingador dos inocentes e defensor dos oprimidos. Na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, era o rei absoluto, vivendo em uma verdadeira fortaleza de concreto, com portões de ferro maciço. Na tribuna da Câmara exaltava a necessidade de melhorar o padrão de vida dos mais necessitados, daqueles esquecidos pelo poder público.
Florivaldo dedicou-se a estudar os filmes, o cinema em geral e de curiosidade, no princípio transformou seu prazer em paixão. Sabe tudo sobre filmes, principalmente da cinematografia brasileira, e possui um acervo de mais de cinco mil filmes em suas estantes.

 

No encerramento de nosso encontro tivemos 45 minutos de puro prazer em ver José Wilker interpretando Tenório Cavalcante, esconjurando as ameaças de políticos corruptos, tentando amedrontar aquele que foi um menino marcado pelo destino, e que estava fadado a vencer na selva de pedras da cidade grande. Assistiríamos novamente o filme de Tenório Cavalcante.

 

            João Gabu, o artista itinerante. Entre papiros e bromélias, nas folhas do gravatá escrevemos versos e prosa; assim ficou registrada a marca acadêmica que perdurará por tempo indefinido.    
João transformou uma sala insípida num templo de cultura, com arranjos florais e pés de gravatá que lhes espinharam as mãos e cortaram as amarras da criação literária, proclamou um espaço inerte, em catedral de cultivo acadêmico. O palco estava pronto para receber os atores das letras, dos poemas versados em cânticos litúrgicos, em cordéis atrevidos e graciosos, em pura poesia eclética, com lirismo e ritmo.

João Gabu versejou graça e criatividade, permitindo que os participantes sentissem-se inspirados para darem seus recados culturais. A vida acadêmica estava começando a perorar, e para tanto o anfiteatro achava-se repleto de corações pulsando expectativas, regurgitando saberes, inteligências e ensinamentos.

Nosso “MESTRE DE CERIMÔNIA” – Josias Teles, sempre com a palavra fácil na boca, com a mensagem pronta para ser lançada ao ar, com a notícia divulgada aos quatro ventos. Josias Teles o Maestro do IV Encontro das Academias, batalhou todo o dia incansavelmente e sem demonstrar cansaço ou aborrecimento, próprio de qualquer evento de tamanha magnitude. Encaminhou cada palestrante para sua mesa, no momento absoluto, informando o tema de cada um, sem cometer nenhuma falha ou escorregadela nas palavras. Soube elogiar no momento certo, discorreu sobre alguns personagens de outras Academias, informando a importância de cada elemento no seu devido lugar, na ocasião propícia como informação “sine qua non”.

Josias Teles com sua batuta sóbria conduziu todos os movimentos acadêmicos com absoluta certeza do que estava fazendo, sem improvisações, sem medo de errar. Não errou. Todos nos sentimos seguros, todos obedecemos as suas ordens como se fossemos alunos do primeiro grau. Sabíamos que ele estava nos levando a um porto seguro, sem mares revoltos, sem procelas traiçoeiras. O palco era o destino dos professores acadêmicos palestrantes. Os ensinamentos foram profícuos e prazerosos, concedendo ensinamentos e curiosidades. Foi um dia esplendoroso, foram momentos inesquecíveis de confraternização, de solidariedade e amor permeando entre todos os presentes ao evento.

            O jantar de gala transcorreu na mais absoluta paz de espírito, todos foram sobejamente atendidos pelos profissionais do hotel, e, antes do final da festa, nos unimos com as mãos dadas e com os olhos marejando, cantando a canção da amizade, do amor solidário, da união entre os povos, cantamos “AMIGOS   PARA   SEMPRE”. Foi o apogeu do dia, um momento de eternidade, uma explosão de emoções, de sentimentos os mais puros, de amor fraternal. Guardamos nos nossos corações aquele instante mágico de solidariedade.

            O domingo foi o palco dos infantes com suas mães num momento de “contação” de histórias. Uma mãe em particular sobressaiu-se com a história do sapo surdo, tentando subir uma escada imaginária. Aquela mãe é uma artista e sabe do seu poder de atrair a atenção das crianças com gestos dramáticos, com palavras que cativam, com histórias que embevecem dos menores.  As crianças sentadas em um tapete mágico brincavam e se divertiam, e Maria Alice, para o enlevo de todos, declamou um cordel de autoria de seu pai, Edson Francisco. Foi lindo de ver, foi maravilhoso compartilhar momentos tão auspiciosos.
A Acadêmica de Paulista, Lêda Santos participou da contação de histórias e, encantou as crianças que ali estavam sentadas naquele domingo embrionário; cantou com sua voz aveludada as canções que enlevam os corações juvenis, tão necessitados de atenções e carinhos. Foi uma participação ímpar.
Bernadete Cerpa esteve presente com lindas histórias de um mundo encantado e enredos pueris, próprios para os alunos das escolas que ali estavam para ouvir o que de melhor cada acadêmico poderia ofertar. Foi uma manhã fascinante para quantos ouviram e participaram de duas ou três horas de arrebatamento.
Depois entraram os adultos com suas poesias, enquanto os meninos desfrutavam de um espetacular lanche providenciado por Célia Soares, nossa proverbial Presidente.
A manhã do domingo foi regida pelo confrade Edson Francisco, que coordenou todo o movimento poético.

Terminou o IV ENCONTRO DAS ACADEMIAS DE LETRAS DAS MICRORREGIÕES DE PERNAMBUCO sob a coordenação dos Acadêmicos da ALAG.

 

Academias presentes ao IV Encontro das Academias, nos dias 23 e e 24 de setembro de 2017.
01 -   Academia de Letras e Artes de Gravatá -  ALAG – (anfitriã); 
02 –  Academia Escadense de Letras – AELE;
03 –  Academia Morenense de Letras e Artes  - AMLA;
04 –  Academia de Letras e Artes de Paulista – ALAP;
05 –  Academia de Cordel de Caruaru – ACAD;
06 –  Academia Pernambucana de Boemia;
07 –  Academia Vitoriense de Letras,  Artes e Ciência - AVLAC;
08 –  Academia batista do Capunga;
09 –  Academia de Letras e Artes de Pernambuco;
10 -  Academia Camaragibense de Letras e Artes   – ACLA;
11 – Academia Tamandareense de Letras e Artes – ATLA;
12 – Academia Palmeirense de Letras  - APLE;
13 – Academia de Jaboatão dos Guararapes – ALJG;
14 – Academia de Letras e Artes de Mesquita – RJ;
15 – Academia Cabense de Letras – ACL;
16 – Academia de Letras e Artes de Santa Cruz do Capibaribe – (a ser fundada).

 

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Maria Célia Soares de Carvalho                               Josias Teles
           Presidente da  ALAG                                           Vice Presidente da ALAG
                                                                             Cerimonialista

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Anchieta   Antunes                                                 Dea Coirolo Antunes
Coordenador do Encontro                                      Coordenadora do Evento

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João  Gabu                                                                  
Coordenador Artístico                                                   Acadêmico

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Acadêmico                                                                 Acadêmico

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O QUARTO ENCONTRO

Com a boneca da sorte
Bem junto coração
Com flores que nós plantamos
Perfumando a nossa mão
Dizemos seja bem-vindo
A esse recanto lindo
Essa terra tão charmosa
De clima espetacular
Nas folhas do Gravatá
Escrevemos verso e prosa


Primeiro foi em Escada
Esse encontro de cultura
Paulista nos recebeu
Com muita literatura
Chegando a Tamandaré
No balanço da maré
A festa foi grandiosa
E pra ela continuar
Nas folhas do Gravatá
Escrevemos verso e prosa


Agora o quarto encontro
Encontra a nossa cidade
Onde o sonho de Justino
Tornou-se realidade
Gravatá abre seus braços
Pra se tornar um espaço
Desta arte gloriosa
Para melhor celebrar
Nas folhas do Gravatá
Escrevemos verso e prosa

Trago versos de cordel
Que colhi por toda parte
O artesanato da gente
Que respira paz e arte
Cristo de braços abertos
E o sorriso mais certo
Dessa gente talentosa
Que habita este lugar
Nas folhas do Gravatá
Escrevemos verso e prosa

Que a sua alegria
Se misture ao nosso clima
E que a sua poesia
Acalente a nossa rima
Que não falte inspiração
Dentro do seu coração
Nesta festa primorosa
Que agora vai começar
Nas folhas do Gravatá
Escrevemos verso e prosa

 

Edson Francisco

 

 

A CRIAÇÃO LITERÁRIA

Admaldo Matos de Assis

Discute-se ainda se o homem foi feito de barro à imagem e semelhança de Deus, como diz a Bíblia, ou se resultante de processo evolutivo, determinado pela seleção natural, e que homem e macaco tiveram um ancestral comum, como ensina Darwin. Não há dúvida, porém, de que a cultura é o elemento distintivo entre o homem e o macaco. Não só cultura em sentido estrito, que se confunde com erudição, mas, sobretudo no sentido amplo, abrangendo tudo que o homem incorpora à natureza. Nesse sentido, para dar singelo exemplo, quando o homem toma o trigo, o sal, a água e o fogo, que estão na natureza, e faz o pão, está produzindo um bem cultural.

As mais elevadas manifestações culturais são as religiões, que tratam da ligação entre o homem e a divindade; as ciências, que visam estabelecer leis nos planos abstrato, físico e social; a técnica, que busca os modos de produção mais eficientes e eficazes; as artes, que têm como finalidade o belo.

Que é o belo? Várias correntes filosóficas buscaram defini-lo. Para uns se identifica com o bom, para outros consiste numa percepção subjetiva variável de pessoa a pessoa e para outros tantos um conceito objetivo. De todas as definições prefiro a de São Tomás de Aquino: Belo é o que agrada ver. Sobre o significado de ver, é preciso observar que sua extensão não se restringe ao sentido da visão, porque, nesta hipótese, não se aplicaria à música, que não é vista, mas ouvida. Também não quer dizer que a percepção do belo seja exclusivamente sensorial, já que a emoção decorrente é fenômeno complexo, no qual se envolvem os sentidos e a racionalidade. Em suma, segundo a visão tomista, belo é que nos agrada, emociona, sensibiliza e nos propicia superior deleite.

As artes se distinguem pelas matérias-primas usadas para realizar o belo. A música recorre aos sons; a pintura, às cores; a dança aos movimentos; a arquitetura, aos volumes; a literatura, à língua. Daí dizer-se que literatura é a arte da palavra. Já ensinava Aristóteles que a poesia é uma imitação pela voz e distingue-se assim das artes plásticas que imitam pela forma e pela cor.

Em razão do entendimento de que a arte se completa no plano puramente estético, não tendo utilidade prática, há quem afirme que a literatura compreende apenas dois gêneros: ficção e poesia. A adoção desse critério implicaria em excluir do campo literário os Sermões do Padre Antonio Vieira, Minha Formação, de Joaquim Nabuco, Os Sertões, de Euclides da Cunha, Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, com o que não concordo. É no uso estético da língua, é na arte de escrever – penso eu – que se configura o belo literário, não importando o tema e a natureza da obra. Assim, os romances de Machado de Assis são obras-primas consagradas, em virtude do tratamento dado ao vernáculo, e ao mesmo tempo se revelam úteis como testemunhos da sociedade carioca na segunda metade do século XIX. Não se pode negar a beleza do texto euclidiano, embora Os Sertões não configurem poesia ou ficção, mas obra de caráter

histórico, sociológico e antropológico. Logo, não é o gênero por si só que torna uma obra literária ou não. Aristóteles ensinava que a poesia não é somente agradável, mas ainda útil. Modernamente, Ernesto Sabato diz que a literatura não é um passatempo nem uma evasão, mas uma maneira – talvez a mais completa e profunda – de examinar a condição humana. Umberto Eco salienta a importância da literatura no cultivo e preservação da língua.

Há quem busque separar, na obra literária, tema, forma e conteúdo, atribuindo-lhes valorações autônomas. Fico com Mário Vargas Llosa para quem não há tema intrinsecamente bom ou mau – tudo depende da forma como é tratado. Para ele, separar forma de conteúdo não passa de exercício inútil, por se constituírem ambos num todo homogêneo, numa unidade indestrutível.

Já houve época em que a literatura dita engajada esteve na moda, compreendendo obras que tinham como objetivo a denúncia de injustiças sociais e a exaltação de doutrinas e práticas político-partidárias, que em tese visavam à sua correção. Penso eu que toda obra literária é naturalmente engajada, no sentido de que aborda a condição humana, todavia, atribuir à literatura função panfletária, em defesa de partidos, governos ou ideologias constitui reprovável abastardamento da arte.

Cuidemos do artista da palavra – o escritor.

Ao exercício da escrita, como a qualquer atividade, sobretudo de natureza criativa, é indispensável vocação, ou seja, uma tendência inata, espécie de fome intelectual, que leva o autor a se sentir feliz enquanto trabalha.

Sobre inspiração há os que a proclamam e os que a negam, estes dando importância decisiva ao que chamam de transpiração. Julgo inexistir inspiração no sentido mítico ou místico de algo superior a nos iluminar, como teria ocorrido com os autores bíblicos, mas ela é real enquanto disposição eminentemente humana para a escrita, que em alguns dias e momentos a favorece e noutros, não. A inspiração deflagra o processo, mas a transpiração é necessária ao seu andamento e sucesso, assim entendida a disciplina e obstinação em exercitar a carpintaria do texto, perseguindo seu máximo aprimoramento.

Há os que entendem o estilo como uma marca personalíssima e indelével do escritor, como queria Buffon: O estilo é próprio homem. Já o romancista Raimundo Carrero entende que personagem tem estilo, mas escritor não. A existência de estilo literário me parece evidente. Quem não percebe a diferença entre a linguagem voluptuosa e exuberante de José Alencar e a seca, enxuta de Graciliano Ramos? Quem não vislumbra distinção formal entre a poesia de Castro Alves e a de Carlos Drummond de Andrade? Quem pode ser alheio à obsessão de Flaubert pela precisão no uso da língua, que ele buscava com paciência de joalheiro? Como esquecer a lição de Maupassant: Seja qual for a coisa que queremos dizer, há apenas uma palavra para exprimi-la, um verbo para animá-la e um adjetivo para qualificá-la.

A criação literária no campo da ficção pressupõe um conjunto de peças que precisam ser combinadas, como num jogo de xadrez, de modo a produzir uma narrativa convincente. São elas: lugar, tempo, personagens, narrador onisciente ou não, escrita na primeira, segunda ou terceira pessoa, trama, diálogos, monólogos, descrições e dissertações.

No meu caso pessoal, contos e romances nascem qual sementes colhidas na realidade, por meio da observação e da memória. Lançadas no solo da imaginação, aí são cultivadas com esmero, para que venham a germinar e crescer. Meus personagens, como os de Graciliano Ramos, são constituídos por observações apanhadas aqui e ali ao longo dos anos (...) é possível que eles não sejam senão pedaços de mim mesmo.